Exposição no TRE-AC resgata memória e resistência feminina durante ditadura chilena
“Arpilleras” integra celebrações dos 50 anos do TRE-AC e o Mês da Mulher

Como parte das comemorações pelos 50 anos do Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) e ainda em alusão ao Mês da Mulher, foi realizada, na manhã desta segunda-feira, 24 de março, a exposição “Arpilleras: das mãos que bordam, a resistência e a memória feminina nos fios da ditadura chilena”. A mostra reúne obras que resgatam a história de mulheres chilenas que, por meio do bordado, denunciaram abusos e violências cometidas durante o regime militar de Augusto Pinochet (1973-1990).
O evento foi promovido pela Comissão de Gestão da Memória da Justiça Eleitoral do Acre (CMJEAC), pela Comissão de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação (CPFem) e pela Escola Judiciária Eleitoral (EJE), em parceria com a Secretaria de Educação (SEE). A exposição reuniu servidores da Justiça Eleitoral e contou com a presença do Presidente do TRE-AC, Desembargador Júnior Alberto; da Vice-Presidente e Corregedora Eleitoral, Desembargadora Waldirene Cordeiro; do Diretor-Geral do TRE, Valentim Maia; da Juíza Auxiliar, Louise Santana; da Secretária Adjunta de Meio Ambiente, Charlene Maia; além de professores e alunos do segundo e terceiro ano da Escola Estadual Henrique Lima.
Para o Coordenador da escola, Atalibas Aragão, a presença dos estudantes foi fundamental para aproximar a juventude da história e da luta por justiça social. “Precisamos passar para os nossos jovens a importância da luta por melhorias, e o TRE os incluindo nesse evento fortalece mais essa batalha pela igualdade e pela própria luta social”, afirmou.
Durante a cerimônia, a Desembargadora Waldirene Cordeiro destacou a importância de promover empatia e agir com justiça. “Precisamos afastar os preconceitos e lembrar que justiça deve existir entre os seres humanos. Conhecer nossos direitos e obrigações é importante para fortalecer a democracia”, disse.
O Presidente do TRE-AC, Desembargador Júnior Alberto, reforçou o papel da democracia e fez um comparativo com regimes autoritários. “No regime democrático, o poder é exercido pelo povo. Se o dirigente não governa pelo interesse da população, na próxima eleição o povo pode retirá-lo do cargo. Já nos regimes autoritários, a escolha é feita por grupos de poder, sem participação popular real”, explicou.
A exposição também refletiu sobre a importância da memória coletiva e da arte como formas de resistência. As servidoras Verônica Costa e Aiêza Bandeira, que integram a Comissão de Gestão da Memória, abordaram como regimes autoritários tentam apagar memórias históricas e a importância de resistir a esse apagamento.
“A arte é uma forma de expressão. Essas mulheres, quando aprenderam a bordar, jamais imaginariam que estariam ligadas por fios que se tornariam instrumentos de resistência”, destacou Aiêza Bandeira.
Veronica Costa reforçou o poder simbólico da arte na preservação da memória. “A arte sempre é um escudo contra o esquecimento, e as Arpilleras mostram isso. Estudando essa arte, vemos que de fato a memória fica preservada”, afirmou.
Compromisso com a memória e a cidadania
O lançamento da exposição marca um momento importante para a Justiça Eleitoral do Acre, que neste ano celebra meio século de existência. A iniciativa reafirma o compromisso do TRE-AC com a preservação da memória histórica, com o fortalecimento da democracia e com a valorização das lutas sociais e da cidadania.
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